Cobrança de Dívidas: O Que a Lei Diz Sobre Abuso e Constrangimento?

Cobrança de dívidas é um tema que gera muitas dúvidas, especialmente quando envolve práticas abusivas ou constrangedoras que podem causar grande estresse e ansiedade aos consumidores. A legislação brasileira, através do Código de Defesa do Consumidor (CDC), estabelece limites claros e rigorosos para proteger os consumidores de situações vexatórias e garantir seus direitos fundamentais.

Cobrança de Dívidas: O Que a Lei Diz Sobre Abuso e Constrangimento?

Mas como identificar se uma cobrança ultrapassou o limite da legalidade e se tornou abusiva? E o que fazer nesses casos específicos? Vamos explorar detalhadamente o que a lei diz sobre o assunto e como agir de maneira eficaz diante de abusos, garantindo que os direitos dos consumidores sejam respeitados e defendidos.

Principais Pontos

  • O Código de Defesa do Consumidor proíbe cobranças que causem constrangimento ou ameaça.
  • Práticas abusivas em cobranças podem levar a penalidades como multa e detenção.
  • Consumidores têm direito à indenização por danos morais em casos de cobranças vexatórias.
  • Cobranças indevidas garantem ao consumidor o direito de receber em dobro o valor pago.
  • É essencial documentar abusos e denunciar às autoridades competentes.

O Que Configura Cobrança Abusiva Segundo a Lei

Definição de Cobrança Abusiva

Cobrança abusiva é quando o credor ultrapassa os limites legais e éticos ao tentar recuperar uma dívida. Isso pode incluir práticas como ameaças, constrangimento público ou perturbação da rotina do consumidor. O Código de Defesa do Consumidor (CDC), no artigo 42, deixa claro que o consumidor inadimplente não pode ser exposto ao ridículo ou submetido a qualquer tipo de ameaça.

Exemplos de Práticas Abusivas

Aqui estão alguns exemplos comuns de práticas consideradas abusivas:

  • Ameaças: Enviar mensagens ou fazer ligações com tom intimidador.
  • Exposição ao ridículo: Cobrar dívidas em locais públicos ou no trabalho.
  • Informações falsas: Alegar que haverá prisão ou confisco de bens sem respaldo legal.

Impactos Legais para o Credor

Os credores que praticam cobranças abusivas podem enfrentar:

  • Multas e penalidades financeiras.
  • Processos por danos morais movidos pelos consumidores.
  • Detenção de 3 meses a 1 ano, conforme o artigo 71 do CDC, em casos mais graves.

A cobrança de dívidas deve sempre respeitar os direitos do consumidor. Qualquer prática que cause constrangimento ou perturbe a paz do devedor pode gerar consequências sérias para o credor.

Direitos do Consumidor em Situações de Cobrança

Proteção Garantida pelo Código de Defesa do Consumidor

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) assegura que, mesmo em casos de inadimplência, o consumidor não pode ser submetido a práticas abusivas. Cobranças que envolvam constrangimento, ameaça ou exposição ao ridículo são expressamente proibidas pelo artigo 42 do CDC. Além disso, o artigo 71 prevê penalidades severas contra essas práticas, incluindo detenção e multa.

Como Identificar Abusos em Cobranças

Práticas abusivas podem ser sutis ou explícitas, mas é fundamental reconhecê-las. Aqui estão alguns sinais comuns:

  • Ligações insistentes em horários inadequados, como finais de semana ou feriados.
  • Mensagens enviadas a terceiros, como parentes ou colegas de trabalho.
  • Uso de linguagem ameaçadora ou humilhante.

É direito do consumidor ser tratado com respeito e dignidade, independentemente de sua situação financeira.

Passos para Denunciar Cobranças Indevidas

Se você se sentir vítima de cobrança abusiva, siga estas orientações:

  1. Registre a ocorrência na ouvidoria da empresa responsável, anotando o número do protocolo.
  2. Formalize uma reclamação em plataformas públicas, como Procon ou consumidor.gov.br.
  3. Consulte um advogado especializado ou procure o Ministério Público para avaliar a possibilidade de ação judicial.
EtapasAção Necessária
1 Ouvidoria da EmpresaContatar a empresa credora
2 Procon ou consumidor.gov.brRegistrar a reclamação em órgãos de defesa do consumidor
3 Advogado ou Ministério PúblicoBuscar suporte jurídico, se necessário

Lembre-se: os direitos do consumidor na cobrança de dívidas são inalienáveis e devem ser respeitados em qualquer circunstância.

O Papel do Código de Defesa do Consumidor na Cobrança de Dívidas

Artigo 42 e a Proteção Contra Constrangimento

O artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) é uma das principais leis de cobrança de dívidas que protege o consumidor. Ele estabelece que o inadimplente não pode ser exposto ao ridículo ou submetido a ameaças, coação ou qualquer tipo de constrangimento. Isso garante que a dignidade do consumidor seja preservada, mesmo em situações de inadimplência.

Exemplos de Proteção Oferecida pelo Artigo 42:

  • Evitar ligações insistentes ou ameaçadoras.
  • Proibir cobranças feitas em locais inadequados, como o ambiente de trabalho.
  • Impedir o uso de linguagem ofensiva ou humilhante.

A cobrança de dívidas deve ser feita com respeito e dentro dos limites legais, sem causar danos emocionais ou sociais ao consumidor.

Artigo 71 e as Penalidades para Cobranças Abusivas

O artigo 71 do CDC vai além e tipifica como crime o uso de métodos abusivos na cobrança. Isso inclui ameaças, informações falsas, ou qualquer prática que exponha o consumidor a situações vexatórias. As penalidades previstas incluem:

Crime na Cobrança de DívidasPena
Ameaças ou coação3 meses a 1 ano de detenção
Exposição ao ridículoMulta e detenção

Essas medidas servem como um alerta para empresas e cobradores, reforçando a importância de respeitar os limites éticos e legais durante a recuperação de crédito.

Como o CDC Resguarda a Dignidade do Consumidor

O CDC é claro ao enfatizar que a cobrança deve ser feita de maneira justa. Entre as proteções legais contra cobradores de dívidas, destaca-se o direito à devolução em dobro para valores cobrados indevidamente, conforme o artigo 42, parágrafo único. Além disso, o consumidor pode buscar reparação por danos morais em casos de abuso.

Direitos Garantidos pelo CDC:

  1. Receber informações claras sobre a dívida.
  2. Não ser perturbado em horários inadequados ou em ambientes impróprios.
  3. Exigir respeito à sua privacidade e dignidade.

Em resumo, o Código de Defesa do Consumidor é uma ferramenta essencial para equilibrar a relação entre credores e consumidores, promovendo justiça e proteção em casos de cobrança de dívidas.

Consequências Legais para Cobranças Vexatórias

Penas Previstas no Código Penal e no CDC

Cobranças vexatórias, que expõem o consumidor ao ridículo ou constrangimento, são consideradas crimes pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). O artigo 71 do CDC estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem praticar tais atos. Isso inclui ameaças, coação, ou qualquer procedimento que interfira no trabalho, descanso ou lazer do devedor. Além disso, o artigo 42 reforça que o consumidor inadimplente não pode ser submetido a qualquer tipo de humilhação ou ameaça.

Indenizações por Danos Morais

Além das penas criminais, quem for vítima de cobranças abusivas pode buscar indenização por danos morais. Alguns exemplos de situações que podem gerar indenizações incluem:

  • Ligações insistentes e em horários inadequados;
  • Cobranças realizadas no ambiente de trabalho;
  • Exposição do devedor a terceiros, como familiares ou vizinhos.

Essas práticas não apenas violam os direitos do consumidor, mas também podem causar sofrimento emocional e psicológico, o que justifica as indenizações.

Casos Reais de Condenações por Cobranças Abusivas

Tribunais brasileiros têm aplicado penas e indenizações em casos de cobranças vexatórias. Por exemplo:

  • Cobrança indevida de débitos quitados: Empresas foram condenadas por insistirem em cobrar valores já pagos, inclusive com contatos diários e por múltiplos meios.
  • Exposição pública do devedor: Casos onde consumidores foram expostos de forma humilhante em seus locais de trabalho resultaram em condenações por danos morais.
  • Uso de linguagem ameaçadora: Mensagens e cartas com tom agressivo ou menção a dispositivos legais de forma intimidadora também levaram a penalizações.

A lei é clara: o direito de cobrar dívidas não pode ultrapassar os limites do respeito à dignidade da pessoa humana. A cobrança deve ser feita de forma ética e sem abusos.

Cobrança de Dívidas: O Que a Lei Diz Sobre Abuso e Constrangimento?

Cobrança de Dívidas e a Dignidade da Pessoa Humana

Princípios Constitucionais Relacionados

A dignidade da pessoa humana é um dos pilares fundamentais da Constituição Federal. Este princípio assegura que, mesmo em situações de inadimplência, o devedor não seja exposto a práticas que violem sua integridade moral ou psicológica. No contexto de assédio na cobrança de dívidas, credores devem respeitar limites éticos e legais para evitar constrangimentos desnecessários.

Limites Éticos na Recuperação de Crédito

Ao cobrar uma dívida, é essencial que empresas e credores sigam boas práticas, como:

  • Evitar ligações excessivas, especialmente em horários inadequados.
  • Não expor o devedor a terceiros, como colegas de trabalho ou vizinhos.
  • Usar uma comunicação clara e sem ameaças.

Esses cuidados não apenas respeitam o consumidor, mas também ajudam a preservar a reputação da empresa.

Impactos Psicológicos das Cobranças Abusivas

Cobranças vexatórias podem gerar sérios danos emocionais. Entre os efeitos mais comuns estão:

  1. Ansiedade e estresse constante.
  2. Sentimentos de humilhação, especialmente em casos de exposição pública.
  3. Dificuldade para manter relações pessoais ou profissionais.

Respeitar o consumidor inadimplente não é apenas uma questão legal, mas um compromisso com a ética e a humanidade.

Para garantir que o princípio da dignidade seja preservado, é fundamental que credores sigam os preceitos do artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, que proíbe práticas abusivas e constrangedoras.

Como Agir Diante de Cobranças Abusivas

Orientações para Consumidores Lesados

Se você está enfrentando cobranças abusivas, o primeiro passo é manter a calma e agir de forma estratégica. Siga estas orientações:

  1. Documente tudo: Registre as ligações, mensagens ou qualquer outro contato feito pelo credor. Guarde capturas de tela, gravações de áudio e protocolos de atendimentos.
  2. Entre em contato com o credor: Tente resolver diretamente com a empresa, buscando a ouvidoria ou canais oficiais. Anote os números de protocolo para referência futura.
  3. Consulte um especialista: Se o problema persistir, procure um advogado especializado em direito do consumidor ou entre em contato com órgãos de proteção ao consumidor, como o Procon.

A organização e a documentação são suas maiores aliadas para garantir que seus direitos sejam respeitados.

Canais de Denúncia e Reclamação

Existem diversas formas de denunciar práticas abusivas que afetam os consumidores e a sociedade como um todo. Aqui estão algumas opções detalhadas e eficazes que você pode considerar:

  • Procon: O Procon do seu estado pode ser acionado para registrar reclamações formais. Por exemplo, em Sergipe, consumidores podem visitar as unidades ou usar o site oficial para denunciar abusos. Procon Sergipe
  • Consumidor.gov.br: Uma plataforma onde você pode relatar abusos diretamente para os fornecedores, que têm prazo para responder.
  • Banco Central: Para questões financeiras, registre uma reclamação no serviço que supervisiona instituições bancárias. Banco Central

Importância de Documentar as Ocorrências

Manter um registro detalhado e minucioso de todas as interações que você tem é absolutamente fundamental para garantir a transparência e a responsabilidade. Aqui estão algumas dicas valiosas e práticas que podem ajudar nesse processo:

  • Guarde prints de mensagens de texto ou WhatsApp e e-mails recebidos.
  • Registre ligações abusivas com data, hora e conteúdo.
  • Em casos extremos, faça uma ata notarial em cartório para oficializar as provas coletadas.

Essas ações não apenas fortalecem sua denúncia, mas também podem ser essenciais caso você precise buscar indenização por danos morais. Se necessário, utilize o Zap Denúncia do Procon SC pelo número 48 3665 9057 para relatar ocorrências. PROCON SC

Diferença Entre Cobrança Legal e Abusiva

Características de uma Cobrança Legal

Uma cobrança legal segue parâmetros claros e respeita os direitos do consumidor. Entre suas principais características estão:

  • Respeito à privacidade: Contatos devem ser feitos de forma discreta, sem expor o devedor a situações constrangedoras.
  • Comunicação transparente: Informações como valor devido, origem da dívida e meios de pagamento devem ser fornecidas de maneira clara.
  • Horários adequados: Contatos devem ocorrer em horários permitidos, evitando interrupções no descanso ou trabalho do consumidor.

Sinais de Cobrança Abusiva

Cobranças abusivas vão além do permitido pela lei, causando constrangimento ou até mesmo danos ao consumidor. Alguns sinais incluem:

  • Ameaças ou coação: Uso de linguagem agressiva ou intimidadora para pressionar o pagamento.
  • Exposição pública: Contatar familiares, colegas ou vizinhos para informar sobre a dívida.
  • Interferência no cotidiano: Ligações constantes, especialmente em horários inadequados, ou cobranças em locais de trabalho.

Cobranças abusivas não apenas violam o Código de Defesa do Consumidor como também podem gerar indenizações por danos morais e outras penalidades legais.

Como os Credores Devem Proceder

Para evitar problemas legais, credores devem adotar boas práticas de cobrança, tais como:

  1. Garantir que a dívida seja legítima antes de iniciar a cobrança.
  2. Treinar equipes para abordar o consumidor de forma respeitosa e profissional.
  3. Registrar todas as interações, garantindo que sejam feitas dentro dos limites da lei.

Respeitar os direitos do consumidor é essencial para manter um relacionamento ético e evitar complicações jurídicas.

O Papel das Empresas na Cobrança Ética de Dívidas

Boas Práticas na Recuperação de Crédito

Empresas que buscam recuperar dívidas precisam adotar boas práticas que respeitem os direitos dos consumidores. Isso não apenas evita problemas legais, mas também fortalece a reputação da empresa. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Comunicação clara e respeitosa: Evite tom agressivo ou ameaçador ao contatar o devedor.
  • Horários adequados: Ligue em horários comerciais e respeite os limites legais.
  • Privacidade do devedor: Não exponha a situação financeira do cliente para terceiros, como parentes ou colegas de trabalho.

Essas medidas ajudam a manter o equilíbrio entre a necessidade de cobrar e o respeito à dignidade do consumidor.

Treinamento de Equipes de Cobrança

Treinar as equipes de cobrança é essencial para garantir que as práticas sejam éticas e dentro da lei. Um time bem preparado:

  1. Conhece as leis aplicáveis, como o Código de Defesa do Consumidor.
  2. Sabe identificar sinais de cobrança abusiva e como evitá-los.
  3. Aprende a lidar com situações delicadas, mantendo sempre o profissionalismo.

Esse tipo de treinamento também reduz o risco de processos judiciais e melhora a eficiência na recuperação de crédito.

Evitar Constrangimentos e Preservar a Reputação

A exposição pública do devedor ou práticas vexatórias, como ligações insistentes ou cobranças no local de trabalho, são não apenas ilegais, mas também prejudiciais para a imagem da empresa. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, o devedor não pode ser submetido a constrangimentos ou ameaças.

Empresas que respeitam os limites éticos na cobrança de dívidas constroem uma relação de confiança com seus clientes e evitam danos à sua marca.

Adotar uma abordagem ética na cobrança é um investimento que traz benefícios a longo prazo, tanto para a empresa quanto para o consumidor.

Cobrança de Dívidas em Ambientes de Trabalho

Por Que É Ilegal Cobrar no Local de Trabalho

A cobrança de dívidas no ambiente profissional é uma prática que ultrapassa os limites do respeito e da legalidade. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o devedor não pode ser submetido a situações que causem constrangimento ou exponham sua privacidade. Cobrar dívidas diretamente no local de trabalho não só viola a dignidade do trabalhador, mas também pode gerar sérias consequências legais para o credor.

Relatos de Casos de Constrangimento

Muitos consumidores relatam histórias de constrangimento, como ligações insistentes feitas a colegas de trabalho ou superiores hierárquicos. Em um caso recente, uma funcionária foi cobrada diretamente por seu chefe, resultando em uma indenização de R$ 5 mil. Outros casos envolvem mensagens enviadas a colegas, expondo a situação financeira do devedor de forma vexatória. Essas práticas são ilegais e podem ser denunciadas.

Como Denunciar Cobranças no Ambiente Profissional

Se você foi vítima de cobrança de dívidas no trabalho, siga estes passos para proteger seus direitos:

  1. Documente todas as interações, incluindo mensagens, e-mails ou ligações recebidas.
  2. Registre uma reclamação na ouvidoria da empresa credora, anotando o número do protocolo.
  3. Procure órgãos de defesa do consumidor, como o Procon ou a plataforma Consumidor.gov.br, para formalizar sua queixa.
  4. Caso o problema persista, considere entrar com uma ação judicial para exigir reparação por danos morais.

Garantir que as cobranças sejam feitas de forma ética e respeitosa é essencial para preservar a dignidade do consumidor e evitar abusos no ambiente de trabalho.

Cobrança de Dívidas e o Uso de Terceirizados

Responsabilidade das Empresas Contratantes

Ao optar por empresas terceirizadas para realizar cobranças, os contratantes devem estar cientes de que podem ser responsabilizados por práticas abusivas cometidas por essas empresas. Embora a legislação não atribua responsabilidade direta em todos os casos, a falha na fiscalização pode gerar consequências jurídicas. Segundo o entendimento do STF, a administração pública, por exemplo, só é responsabilizada por dívidas de terceirizados quando se comprova negligência na supervisão dos contratos. Isso reforça a importância de estabelecer critérios claros e acompanhar de perto as atividades realizadas por terceiros.

Práticas Abusivas Comuns por Terceirizados

Infelizmente, algumas empresas terceirizadas recorrem a métodos de cobrança que ultrapassam os limites legais, como:

  • Ligações em horários inadequados, incluindo fins de semana e feriados.
  • Contatos repetitivos e insistentes, gerando constrangimento.
  • Envio de mensagens a familiares, colegas de trabalho ou vizinhos do devedor.

Essas práticas não apenas violam o Código de Defesa do Consumidor (CDC), mas também podem configurar crime, com penas previstas de detenção e multa. É essencial que os credores escolham parceiros que respeitem as normas legais e éticas.

Como o Consumidor Pode se Proteger

Se você foi vítima de cobranças abusivas realizadas por terceirizados, siga estas orientações:

  1. Registre todas as interações, incluindo mensagens e horários das ligações.
  2. Faça uma reclamação formal junto à ouvidoria da empresa contratante e anote o protocolo.
  3. Caso a situação persista, procure canais como o Procon ou a plataforma consumidor.gov.br para formalizar a denúncia.

A escolha de empresas terceirizadas deve ser criteriosa, pois a má conduta na cobrança pode não apenas prejudicar consumidores, mas também impactar negativamente a reputação do contratante.

Cobranças Indevidas e o Direito à Repetição do Indébito

O Que É a Repetição do Indébito

A repetição do indébito é um direito garantido ao consumidor pelo artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Quando uma cobrança é feita de forma indevida e o consumidor realiza o pagamento, ele tem o direito de receber o valor pago em dobro, acrescido de juros e correção monetária. Essa medida busca não apenas reparar o prejuízo financeiro, mas também desestimular práticas abusivas por parte dos credores.

A legislação deixa claro: o consumidor deve ser protegido contra erros que possam causar danos financeiros ou constrangimentos desnecessários.

Quando o Consumidor Tem Direito a Receber em Dobro

O direito à devolução em dobro aplica-se em situações específicas, como:

  1. Cobranças feitas de valores que já foram pagos.
  2. Débitos inexistentes cobrados por engano ou má-fé.
  3. Cobranças insistentes e vexatórias que induzem o consumidor ao erro.

No entanto, há uma exceção: se o erro for considerado justificável, o fornecedor não é obrigado a devolver o valor em dobro, mas apenas o montante pago indevidamente.

SituaçãoDireito Garantido
Cobrança indevida sem justificativaDevolução em dobro + juros e correção
Cobrança por engano justificávelDevolução do valor pago

Exemplos de Casos de Cobranças Indevidas

Casos reais ajudam a ilustrar como a repetição do indébito funciona na prática:

  • Um cliente foi cobrado por um serviço que já havia cancelado e, após pagamento, conseguiu a devolução do valor em dobro por meio de ação judicial.
  • Consumidores que enfrentaram cobranças insistentes e indevidas por empresas de telefonia tiveram direito à devolução e também à indenização por danos morais.
  • Uma empresa de energia elétrica cobrou tarifas duplicadas de seus clientes, e o tribunal determinou a devolução em dobro dos valores pagos.

É fundamental que os consumidores conheçam seus direitos para se protegerem contra abusos e buscarem reparação quando necessário.

Impactos das Cobranças Abusivas na Sociedade

Efeitos nas Relações de Consumo

Cobranças abusivas comprometem a confiança entre consumidores e empresas. Quando práticas agressivas ou vexatórias são adotadas, o cliente se sente desrespeitado, o que pode levar à quebra de fidelidade com marcas e serviços. Essa deterioração das relações de consumo impacta negativamente todo o mercado, enfraquecendo a economia e a competitividade.

Desafios para Regulamentar a Cobrança Ética

Regulamentar a cobrança de dívidas de forma justa é um desafio constante. Apesar de leis como o Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelecerem limites claros, muitas empresas ainda encontram brechas ou ignoram as regras. Isso exige:

  • Maior fiscalização de práticas abusivas.
  • Atualizações legislativas para acompanhar novas estratégias de cobrança.
  • Investimento em campanhas de conscientização sobre direitos do consumidor.

Como Promover a Educação Financeira

A educação financeira é uma ferramenta essencial para reduzir os impactos das cobranças abusivas. Consumidores informados têm mais chances de evitar dívidas excessivas e identificar práticas ilegais. Entre as iniciativas que podem ser promovidas estão:

  1. Workshops e palestras sobre gestão de finanças pessoais.
  2. Criação de materiais educativos acessíveis, como cartilhas e vídeos.
  3. Parcerias entre governo, ONGs e empresas para levar conhecimento financeiro às comunidades mais vulneráveis.

A transformação da relação entre credores e consumidores só será possível quando ambos os lados entenderem seus direitos e responsabilidades, promovendo um ambiente de respeito e equilíbrio.

Conclusão

No final das contas, cobrar uma dívida é um direito do credor, mas isso precisa ser feito com respeito e dentro dos limites da lei. O Código de Defesa do Consumidor deixa claro que práticas abusivas, ameaçadoras ou constrangedoras não são aceitáveis e podem levar a consequências legais sérias. Para o consumidor, é importante conhecer seus direitos e buscar ajuda caso se sinta lesado. Já para os credores, agir de forma ética e responsável é não só uma obrigação legal, mas também uma forma de manter a confiança e a reputação no mercado. Respeito e bom senso são sempre o melhor caminho.

Perguntas Frequentes

1 O que caracteriza uma cobrança abusiva?

Cobrança abusiva ocorre quando o credor utiliza práticas que constrangem, ameaçam ou expõem o consumidor a situações vexatórias, como ligações excessivas ou contato com terceiros.

2 Quais são os direitos do consumidor em casos de cobrança indevida?

O consumidor tem direito à repetição do indébito em dobro, além de poder denunciar práticas abusivas e buscar indenização por danos morais.

3 O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre cobranças abusivas?

O CDC, em seu artigo 42, proíbe que o consumidor seja exposto a ridículo ou submetido a ameaças, enquanto o artigo 71 prevê penalidades para práticas abusivas.

4 O que fazer ao receber uma cobrança vexatória?

Registre a ocorrência junto à ouvidoria da empresa, guarde os protocolos e, se necessário, denuncie ao Procon ou entre com ação judicial.

5 É permitido cobrar dívidas no local de trabalho do consumidor?

Não, essa prática é ilegal e configura constrangimento, podendo resultar em penalidades para o credor.

6 Quais são as penalidades para cobranças abusivas?

As penalidades incluem multa, detenção de 3 meses a 1 ano e, em casos graves, indenização por danos morais ao consumidor.

7 Como identificar se uma cobrança é abusiva?

Sinais incluem ligações insistentes, contato com familiares ou vizinhos e mensagens ameaçadoras. Essas práticas violam os direitos do consumidor.

8 O que é a repetição do indébito?

É o direito do consumidor de receber em dobro o valor pago indevidamente, acrescido de correção monetária e juros legais.

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